Necrofilia

Em 1666, na cidade de Sacramento, nos EUA, o zelador do cemitério “Davis Muller”, ficou completamente assustado quando viu uma das sepulturas do cemitério arrombada e violada. Aproximando-se do túmulo percebeu que o causador dessa sabotagem manteve relações sexuais com o cadáver, e indagou:

– Meu Deus! Que absurdo! Como alguém pode fazer isso com uma morta indefesa? – disse o zelador John Smith.

O mesmo fez de tudo pra acreditar que não estava louco. O cadáver era da Senhora Jane Peterson, que já se encontrava em estado de decomposição e disseminava um odor intolerável. A mulher estava inteiramente nua e com as pernas abertas no caixão. Gotas de esperma estavam espalhadas pelo seu corpo.

O zelador, por um momento, ficou ali, inativo… Um sentimento de desprezo, nojo e terror, acompanhado por um calafrio gelaram sua espinha. Imediatamente, retornou atordoado até seu casebre, nos fundos do cemitério, e pegou um martelo, uma pá, alguns pregos e uma corda. Retornando ao local do acontecimento, deitou o cadáver frio e fétido no caixão, e, em seguida, tampou-o. As travas haviam sido estouradas, e por isso, o zelador pregou a tampa por inteiro. Depois, enrolou a corda ao meio do caixão e, com um grande esforço, conduziu o pesado corpo até o fundo da catacumba para que fosse lacrado novamente.

Nesse mesmo dia o Senhor John Smith não fez outra coisa, a não ser refletir no fato ocorrido que presenciou. Pensou em procurar a ajuda policial, ou até mesmo comentar o acontecido com alguém, mas não o fez, porque tinha pavor a escândalos. Mas ele sentia que esse não era o motivo certo pelo qual não procurou apoio.

O zelador achou melhor pôr um ponto final nesta história, porém, durante semanas não conseguiu se livrar da imagem do cadáver. Acordava aterrorizado, banhado de suor durante a noite, ouvindo o eco da gargalhada demoníaca da morta vinda do túmulo. Além do mais, tinha a impressão de que, quando dormia, ela ficava vigiando o seu sonho.

Em uma manhã, muito fria, quando foi regar as flores dos túmulos, deparou-se com a mesma cena anterior. A sepultura de outra mulher havia sido violada e o cadáver, encontrava-se nu e com as pernas escancaradas. Novamente o Senhor John, pegou a pá, o martelo e os pregos em sua casa e voltou ao local do crime. Enquanto o zelador botava o cadáver deteriorado no caixão, indagou assustado: “Esse indivíduo horrendo só pode ser alguém que conhece muito bem o cemitério”.

Ao depositar o corpo no caixão, percebeu uma carteira soterrada no monte de terra. Então a pegou e a abriu, e consequentemente descobriu o necrófilo que sustentava as relações sexuais com as vítimas do cemitério – James Jackson era o causador responsável por todas aquelas cenas porcas. Tratava-se de um mau caráter imprudente do qual morava a um quarteirão do cemitério.

– Mas é claro! Como não me toquei disso antes? Só podia ser o crápula do James! – exclamou o zelador.

John ficou um pouco surpreso, pois nunca imaginou que James pudesse sofrer de necrofilia. Após a descoberta, o zelador pôs fim a sua tarefa, pregando a tampa do caixão, envolvendo o mesmo com a corda, e finalmente enterrando o cadáver. Logo, pegou seus instrumentos de trabalho, a carteira do estuprador maníaco e foi para casa.

Ao chegar, abriu uma garrafa de vodka, acendeu um charuto e começou a pensar:

– Agora sim, tenho em minhas mãos as provas para colocar o miserável na cadeia, é isso mesmo que eu vou fazer.

De repente, vacilou, não sabia explicar como, mas pensamentos arrepiantes e sentimentos sombrios apoderaram-se de seu espírito, dizendo:

– Muahahaha. Acabe com ele. HAHAHAHA. Dissemine-o desse mundo, e faça de nós, mortos, vivermos em paz em nossas casas. Provoque uma morte dolorosa, árdua, sufocante nesse sujeito porco! Faça isso, caso ao contrário, seus dias estarão contados com muito, mas muito terror… Muahahahaha!

O zelador ficou trêmulo, frio e perturbado após ouvir essas vozes espíritas, decidindo então, não ir até a polícia, e dar início a um plano terrível contra o Senhor Jackson.

– Eu preciso acabar com aquele velho porco sem deixar nenhum sinal de pistas – indagou bravamente, o zelador.

Foi nesse momento que John teve a brilhante ideia de atrair James Jackson para uma armadilha sem que ele desconfiasse. A primeira parte do plano consistia em:

ü  Ir até a sua casa com a desculpa de ter encontrado a sua carteira.

– Olá, meu caro amigo Jack (apelido de James Jackson), sei que já está tarde, mas é que preciso falar com você sobre um assunto de seu interesse! – disse John Smith.

– Pois não, pode dizer John – disse o estuprador.

– É que encontrei sua carteira com seus documentos na calçada perto do cemitério e deixei-a lá em casa. Você não quer ir até lá para pegá-la? – falou o zelador.

– Mas agora senhor? Estou com muito sono. – indagou Jack.

– Não seja preguiçoso, vamos. Em um pulinho você vai e volta… Não me diga que está com medo dos cadáveres, está? – disse debochadamente o zelador.

– Capaz mesmo, vamos então! – exclamou o criminoso.

Chegando a casa do zelador, o mesmo convidou James para que entrasse e ficasse a vontade em seu casebre, enquanto ia buscar a sua carteira no quarto. É nessa hora que entra a segunda parte do plano:

ü Embebedar Jackson com uma garrafa de vodka, e seduzir o mesmo para que jogasse algumas partidas de baralho com ele.

– Pronto Jack! Aqui está a sua carteira. – disse John.

– Valeu… Bem, já vou indo pra casa! – exclamou James Jackson.

– Mas já? Não quer me fazer companhia mais um pouco? Fico sempre muito sozinho aqui! Vamos, sente aí pra jogarmos um baralhinho e tomarmos um pouco de vodka.

– Ora bolas! Mas rapidinho, hein! – disse James.

– Legal, fique a vontade! – falou o Senhor Smith.

A noite se aproximava das 24 horas… Um vento forte assombrava o cemitério “Davis Muller”, acompanhado com mugidos de animais (ou de mortos?) assustadores. Era de arrepiar a qualquer um! Jack já havia ganhado duas partidas de truco de seu adversário, e queria ir embora, mas John fez de tudo para enrolá-lo mais um pouco…

– Ora James, ainda é cedo… Vou buscar mais vodka para bebermos! – exclamou John.

– Nãummm amíguo – disse Jack muito embriagado.

A hora passava correndo, e James ficava cada vez mais bêbado. Hora perfeita para entrar a terceira e última parte do plano:

ü Praticar atividades sexuais com os cadáveres… Hm, vamos ver… Bem, para não desvendar agora o grande mistério final desse plano, continue acompanhando o texto.

– Jack! Posso lhe contar um segredo? – disse John.

– Sim – disse Jackson com a voz trêmula.

– Eu sinto atração sexual pelos cadáveres! – falou John enganando-o.

– HAHAHA! Eu imaginei que só eu sofresse de necrofilia! – disse Jack, desvendando o seu crime.

John convidou Jack para praticar tal abuso e o mesmo, óbvio, aceitou! O zelador foi até seu quarto, pegou todos os seus instrumentos de trabalho para covar a catacumba e seguiram até o cemitério.

– Veja! Logo ali tem um cadáver que foi enterrado há pouco tempo, está fresquinho! Espere um pouco, enquanto faço a escavação – disse o zelador.

Depois de aberta a sepultura, John gritou:

– Venha me ajudar a tirar o caixão daqui!

O cadáver já estava em um longo processo de deterioração (ao contrário do que John disse para enganar Jack), apresentando supurações espalhadas pelo corpo, derretimento da carne, apodrecimento e estado de ressecamento, cabendo assim, mais um ocupante naquele caixão! Se deparando com aquela situação, a vontade de vomitar de John era imensa, principalmente quando via Jack olhando para o defunto com completa fascinação.

– James, pode ir você por primeiro, eu confesso, estou um pouco nervoso. Para que você fique mais a vontade, vou cobri-los com a tampa do caixão – disse John Smith.

Jack nem percebeu o perigo que o acercava devido ao efeito do álcool e a sua alta fixação pelo cadáver naquele momento.

É nessa hora que, aproveitando da fragilidade de James (enquanto gozava de prazeres), John aproximou-se do mesmo, aplicando-lhe um golpe certeiro na nuca, do qual fez com que desmaiasse no momento, sendo assim, lacrou rapidamente o cadáver e o necrófilo no caixão para depois enterrá-los. Depois, lá de baixo da sepultura, John ouviu um gemido sufocante vindo de dentro do caixão, porém não era um gemido de orgasmo ou de encanto. Era um gemido de pânico misturado com agonia. John sentiu um sentimento de desconforto e arrependimento na hora, mas depois, percebeu que fez a coisa certa.

Depois da tarefa completada, uma densa névoa cobria o cemitério, caía uma garoa fina e gelada. Dessa forma, John jogou uma coroa de rosas no túmulo, pegou seus instrumentos de trabalho e foi para casa dormir tranquilamente e pensou:

– Que bom, estou sossegado, salvei a paz dos mortos e agora não vão mais me atormentar!

Durante o profundo sono da madrugada, o zelador começou a ter pesadelos horríveis, sonhava com mortos o estuprando de uma forma louca, absurda e nojenta. É nesse instante que toca a campainha de sua casa, então, acorda desesperadamente, vai tomar um copo de água, um calmante, e diz sorrindo:

– HAHAHAHA. Não posso mais ficar vendo filmes de terror em minha casa até tarde. Ora, até meu digníssimo amigo James Jackson participou desse meu pesadelo horrível como necrofilista! E a pobre senhora Jane Peterson que esteve aqui em casa hoje me fazendo companhia foi dada como defunta, coitadinha! Quem imaginaria um dia, Jack e Jane tendo relações sexuais absurdas? HAHAHA.

O fato foi que John Smith viveu um sonho dentro de um sonho! Fica como conselho John, você parar de assistir filmes de terror até altas horas da madrugada em sua casa, no cemitério, caso ao contrário, seus pesadelos poderão virar realidade! Tome cuidado!

Comentários e curiosidades sobre a narrativa: Esta história enfatizou uma doença chamada necrofilia (o amor aos mortos), caracterizada pela excitação sexual decorrente da visão ou do contato com um cadáver. O fenômeno da necrofilia é conhecido desde os mais remotos tempos da história humana, podendo ainda hoje ser observado como costume comum em certas tribos africanas e asiáticas, bem como em manifestações raras no Ocidente. Esse tipo de tema foi muito abordado nas prosas e poesias românticas do século XIX como nas obras de Álvares de Azevedo.

 

Autor: Vilmar Bertotti Junior, 3ª A.

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1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Lucas Moro
    maio 19, 2011 @ 02:39:47

    Eu me orgulho em saber que basta olharmos para o lado, que veremos muitíssimos talentos , a espera de uma oportunidade para desabrochar e revelar o que realmente sabe fazer.

    Parabéns meu Brother, muito bom seu texto.

    Responder

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