O caçador de raios

Ninguém poderia imaginar, mas nosso mundo sempre esteve rodeado de criaturas mágicas e fenômenos que para a ciência seriam inexplicáveis. Nesse paralelismo entre dois mundos diferentes que coexistem em todos os aspectos, menos nas populações que ali se formaram, existem enigmáticos seres e formas de vidas que convivem pacificamente entre si, cada um em seu mundo, pois o mínimo contato poderia gerar alguma forma de aversão ao outro, desequilibrando a magia que os une, provocando sérias consequências, até a destruição dos planetas.

Controlar essa magia seria o melhor jeito de evitar prejuízos, mas apenas se usada para preservar a paz entre os mundos.

Desde o surgimento do universo, habitantes de ambos os planetas, um chamado Terra e outro Garis, começaram sua evolução e busca de conhecimento lentamente, porém em caminhos opostos. Enquanto na Terra a ciência baseada nos eventos concretos era desenvolvida, em Garis já era possível entender e se utilizar de alguns conceitos da magia que ligavam os mundos.

A principal fonte energética de Garis estava voltada a captura de raios por navios voadores, os quais eram posteriormente jogados na rede elétrica que abastecia cada residência do planeta. Um dos principais responsáveis por executar essa tarefa, era o capitão Negaus, famoso por realizar as primeiras táticas de captura de raios.

Negaus havia se formado com louvor na melhor universidade de seu país, “Intitut University Masachutes Ho-raios”, trabalhou em diversas pesquisas e teses que visavam alavancar o domínio da magia avançada e aperfeiçoou várias técnicas de levitação de massa. Mas o fato que mais marcou sua vida foi o nascimento da filha “Nancy”, com a bonita e gentil “Bunner Saraiva Mengel”. Quando ainda pequena e indefesa Nancy havia sido sequestrada e levada para o outro mundo, mais especificamente, na cidade de Londres, onde teve uma vida normal, até… Nesse tempo Negaus, chocado, nem haverá pensado em tal possibilidade, já que o domínio da magia para o transporte entre os mundos paralelos não havia sido descoberto oficialmente. Negaus, aos 55 anos, era um ser simbólico em seu planeta, por todos seus feitos. O mais notável foi a forma de obtenção de grande quantidade energética através da captura de raios, ao qual aderiu como carreira, abandonando sua vida de grande intelectual.

Como todos sabem, para se capturar um raio, é preciso viajar grandes distâncias em busca de tempestades a bordo dos conhecidíssimos navios voadores.

No dia 446-DAN, ou 10 de Maio de 2011 na forma terráquea, parecia mais um dia normal de trabalho.

Rick, puxe a vela mais para a direita, se não quiser virar comida de Arraias voadoras.

Todos estão preparados? Vamos entrar na nuvem.

Sim, capitão! – Responderam estridentemente todos os marujos.

Virando a bombordo…

BUMMMMM…

Pronto, aviam capturado energia para mais uma semana de consumo normal para 1 de seus 158 países. Realmente o aproveitamento era fantástico, mérito do Capitão Negaus. A única coisa que realmente incomodava nesse serviço, eram os estouros provocados pelos raios ao entrarem pela canaleta de absorção, mas isso não os irritava muito, se comprarmos a emoção de simplesmente estar em um barco voador.

Como tempestades eram eventos raros em Garis, no passo de armazenar a energia, toda a tripulação partiu ao encontro da próxima perturbação pluvial prevista para o dia. Mas um acontecimento abalou a todos:

Parem esse Navio Voador!

O capitão Negaus está a bordo.

Aparentemente a real polícia dos ares estava realizando mais uma incomum vistoria.

Depende do que se trata – Respondeu o marujo Rick.

Não me venha com gracinhas, seu capitão está sendo acusado do crime mais bárbaro já realizado aqui em Garis.

Pois bem, o capitão sou eu, do que se trata?

Negaus Ortix Mengel, pelas leis Gariniences o senhor foi julgado e condenado à prisão perpétua pelo assassinato de Nardor Roir.

Sem entender o que estava acontecendo, Negaus tenta se defender, argumentando aos gritos com a real polícia. Mas de nada adiantou, uma vez condenado, a mesma não tinha revoga. O Grande capitão admirado por todos, sem maior reação obedeceu à ordem de prisão e, humilhado diante da tripulação e toda população Garinience, só conseguia exaltar um desejo: provar a sua inocência.

Havia se passado dois anos e Negaus continuava a cumprir sua pena. Sem novas descobertas sobre sua condição, era deprimente pensar que a vida de um ser bem sucedido tornara-se tão monótona.

Nesse ponto já deve ter quem pense que a história acabará. Final trágico. Realmente, até Negaus admitia isso, porém surpreendentemente e coincidentemente recebe duas cartas:

Quem será que as escreveu, deve ser algum deboche a minha prisão. Só pode ser isso, afinal estão sem nome, endereço, nada.

Infelizmente todos os integrantes da família do ex-capitão haviam sido estranhamente mortos durante o decorrer do primeiro ano, após sua prisão. Negaus também não se conformava, mas estando preso, o que poderia fazer contra esse maníaco?

Ao abrir a primeira carta:

“Espero que esteja confortável caro amigo, já que não sairá tão cedo! Hahahahaha”

Quem poderia ter escrito tamanha monstruosidade? Mas o que importa, ficarei louco se me preocupar com isso.

Sem mais delongas, abriu a segunda, e surpresa:

“Nageus, espero que ainda esteja lúcido, não é qualquer um que resiste ao nosso duro sistema prisional. Quem vos fala pode ser considerado um ex-inimigo, porém agora aliado. Traído pelo meu mestre, quero revelar a verdade que lhe foi negada.”

“Um dia, cumprindo ordens, quando o senhor ainda era jovem, fui encarregado de tomar sua filha e dar um fim na mesma, porém o que fiz foi leva-la para o mundo do paralelismo, utilizando uma magia antiga, protegida a sete chaves por minha família, para preservar o equilíbrio entre os mundos.”

“Meu mestre, Capitão Ranjar, agora também quis se livrar de mim, eu servo fiel, para tentar evitar que ele se utilize do poder de presidente da mais poderosa companhia de mundo, tento por meio dessa, redimir-se com sua pessoa.”

“Ao verso da carta estão todas as instruções para realizar a magia que lhe citei, espero que com essa possa escapar dessa prisão imunda, recuperar sua dignidade, talvez sua filha e derrubar Ranjar.”

Negau nunca tomou uma decisão tão rápida em sua vida, em menos de uma hora já estava no outro mundo, afinal descobrira a trama de Ranjar. O segundo capitão mais prestigiado matou o presidente da companhia de energia. As autoridades prenderam Nagau, pensando ser o único suspeito (assim são as leis de Garis), mas prestigiado e cheio de ambição, assim o caminho ficaria livre para se candidatar ao cargo, uma vez que para tal posto ocorriam eleições internas, onde o voto da maioria contava.

Mesmo sendo um mestre da magia e possuidor de grande sabedoria, logo descobriu fenômenos que antes eram considerados impossíveis:

Os humanos seriam cópias nossas ou ao contrário?

Mas graças a suas habilidades a parte mais fácil foi se disfarçar entre os humanos e encontrar sua filha, porém só o fato de vê-la bem e feliz já aquietou o aflito coração de Negau, a partir disso tomou uma importante decisão.

Vejo que minha filha está muito feliz vivendo desse lado do paralelismo, seria muito difícil que ela adapta-se e principalmente, conhece costumes tão diferentes, então vejo que a melhor solução será deixar tudo como está, escondendo a magia que nos transporta de mundos a todo o custo.

O embate ao Capitão Ranjar por diante tornou-se lento na visão de Negau, que logo queria se ver livre do peso da culpa, porém mais fácil do que qualquer um pudesse imaginar.

Todos os capitães e marujos dos barcos voadores, desde o início, estavam insatisfeitos com a péssima administração e posição de poderio tomada por Ranjar. Conversando por intermédio de “Zaterro”, aquele que enviou a carta confidenciando tudo a Negau, formou uma grande Aliança com todos os caçadores de raios. Tempos depois, juntos, impondo este ponto de vista para a incriminação de Ranjar, não restou alternativa ao sistema judicial, se não condená-lo.

Negau ainda não tinha recuperado seu merecido respeito e dignidade por todos, mas isso não demorou muito para se suceder, uma vez que Ranjar por livre e espontânea força contou a verdade, reduzindo assim sua pena de morte para prisão perpétua.

Autor: Eduardo Falchetti Sovrani, 3A.

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